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    Judaísmo e Etc.


    Religioso é preso em São Paulo e cortam sua barba na prisão II

    Comentário sobre matéria publicada no G1. Aqui, ou aberta no post logo abaixo.

     

    Eis aqui um um dilema interessante.

    Aqui está a comunidade judaica do Brasil: uma comunidade bem sucedida, seus membors são respeitados e tão donos como todos deste país que é de ninguém, possuêm boa reputação e têm boa entrada na mídia. E eis que aparece um judeu estrangeiro (que mora na Alemanha), pego pela poícia contrabandeando milhares de dólares em seus muitos bolsos nas típicas vestimentas religiosas e acusando carcereiros brasileiros de ter recebido deles um mau tratamento e ter suas crenças religiosas desrespeitadas. Pior ainda, eram antissemitas declarados e se manifestaram com saudações nazistas!

    À se acreditar piamente nas palavras do judeu, como assim parece fazer o Rabino entrevistado, se trata realmente de algo horroroso que deve ser combatido imediamente, por judeus e por não judeus. Por outro lado, será que é um grande negócio para a comunidade local associar sua imagem e prestar solideriedade pública com um criminoso alemão? (e desculpem o cinismo da citação as avessas da célebre frase de Einstein sobre o possível sucesso da teoria da relatividade).

    Podem dizer os judeus: nós que fomos tão perseguidos no decorrer da história, por sermos judeus, devemos sempre defender nossos direitos e de qualquer um de nós, mesmo os de reputação dúbia, em qualquer circunstância. E mais, pode-se minimizar a questão dizendo que ninguém entre os judeus apoia, publicamente pelo menos, o crime do judeu alemão. Condena-se apenas o antissemitismo na cadeia.

    Correto, na prática pelo menos. O dilema realmente começa quando uma pequena dose de ceticismo nos faz perguntar se realmente as coisas são como apresentadas nesta reportagem claramente pró prisioneiro. 

    A primeira frase citada já diz a que todo o texto vem: “Eu fiquei muito mal, pensando no que os alemães fizeram com os judeus 60 anos atrás. Isso é o que eles fizeram comigo agora no Brasil”. Mentira! O que os nazistas fizeram com os judeus não tem nada a ver com o que a polícia fez com ele. Algo me diz que, com todo o respeito, ele ficou pensando nos dólares perdidos com o flagra.

    Ao lado da maximização do sofrimento do engenheiro, há também a nítida minimização, acreditem só, do Holocausto. Na continuação da reportagem afirma o Rabino: “Em alguns campos de concentração, o tipo de humilhação que fizeram com os judeus ortodoxos foi cortar a barba e zombar dessas pessoas.” O que? Que campos eram esses? Se é permitido ter ironia por aqui, sorte destes ortodoxos que lhes foi destinado este ‘tipo de humilhação’ tendo apenas, sem aspas, a barba cortada e sendo zombados.

    Mais que mentirosa, essa tendência é especialmente hipócrita: quem grita ‘Holocausto!’ erronea e falsamente para uso próprio é aquele que menos respeita a lembrança do próprio Holocausto e, no final, como vimos explicitamente, acaba diminuindo-o. Quando tivermos amanhã uma ocorrência séria de antissemitismo, De’us nos livre, não mais poderemos advertir a sociedade ampla com a mesma segurança e intensidade, pois outros fizeram mal uso do assunto.

    Mas é óbvio que por motivos sabidos, é melhor para o acusado clamar, por liberdade?, armado de argumentos religosos, místicos como o Holocausto e por que não, metafísicos como parecem ser suas descrições. Caso o fizesse exigindo os direitos humanos reservados pela constituição a qualquer acusado mortal, sem dúvida não teria a corrupta brecha na lógica de flertar com a liberdade incondicional como "recompensa". Clamar através da constituição seria uma contradição para seus interesses.

    Um dos foristas do site Vos is Neias , dentre os 90% que desaprovam o comportamento do engenheiro alemão observa: o Talit atirado no chão que “Quando uma pessoa se envolve com o talit, nessa hora, ele está lembrando que tem que cumprir os 613 mandamentos de Deus”, poderia tê-lo lembrado das proibições e dos riscos de ‘profanação do nome de De’us’ que estava acarretando com seus atos.

    Flagrado com contrabando, evocando o Holocausto de maneira pra lá de duvidosa e sem oferecer sua idêntidade, pra mim, já não tem mais credibilidade para nele se acreditar e menos ainda para defendê-lo publicamente. Confesso que nessa posição, ainda mais estando longe e sem poder ajudar pessoalmente (alô alô Eiran), existe um certo confronto com o que chamamos de “sentimento judaico”, e por isso o dilema inicial, que como muitos dilemas, deve ser resolvido. Esta é a minha resolução.



    Escrito por Iossi Katri às 18h23
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    Religioso é preso em São Paulo e cortam sua barba na prisão

    Do G1,

    Corte de barba feito à força, ofensas à crença religiosa e até insultos nazistas: um judeu ortodoxo denuncia que sofreu humilhações em uma cadeia de São Paulo. O homem, de 56 anos, se diz traumatizado. “Eu fiquei muito mal, pensando no que os alemães fizeram com os judeus 60 anos atrás. Isso é o que eles fizeram comigo agora no Brasil”, desabafa.

    Engenheiro eletricista com passaporte americano, ele afirma ter saído da Alemanha no dia 6 para visitar amigos em São Paulo. Assim que passou pelo desembarque no Aeroporto Internacional de Guarulhos, na Grande São Paulo, foi preso. 

    A polícia descobriu que ele carregava no casaco e no colete itens valiosos não declarados, como joias, diamantes e relógios caros. O engenheiro passou três dias detido na Polícia Federal, no Aeroporto de Guarulhos, e foi levado depois para um Centro de Detenção Provisória (CDP). Nele, segundo o judeu, depois de passar por uma triagem, ele teria sido vítima de intolerância religiosa.

    Ele diz que um carcereiro atirou no chão a quipá - um pequeno chapéu obrigatório para todo judeu ortodoxo. "Ele, então, começou a falar com um colega que estava ao lado, rindo de mim. Depois, eles falaram ‘heil Hitler’", conta. "Heil Hitler", "salve Hitler", é a mais conhecida saudação nazista da época do holocausto.

    O engenheiro diz que, depois da insultá-lo, os carcereiros encontraram em sua bagagem dois objetos religiosos, o talit e o tefilin, e os atiraram no chão. Os acessórios são sagrados. “Quando uma pessoa se envolve com o talit, nessa hora, ele está lembrando que tem que cumprir os 613 mandamentos de Deus. Quando um judeu coloca o tefilin de manhã, é a conexão dele com Deus”, explica. 

    Sem barba

    Mas o pior ainda estava por vir. “O carcereiro me perguntou há quanto tempo eu tinha a barba. Eu disse que tinha desde que ela começou a crescer. Ele respondeu, então, que a partir daquele dia, eu não ia ter mais barba”, lembra.

    O engenheiro diz que o puseram em uma cadeira, algemado nas mãos e nos pés. Em seguida, sua barba foi complemente raspada. “Consta na nossa Torá, que é a nossa Bíblia, que é proibido você destruir parte de sua barba. De acordo com a cabala, a parte mística do judaísmo, através da barba, nós recebemos as benções divinas”, explica um rabino.

    Também foram cortados os cachos que ele mantinha desde que nasceu e que simbolizam devoção a Deus. “Em alguns campos de concentração, o tipo de humilhação que fizeram com os judeus ortodoxos foi cortar a barba e zombar dessas pessoas. Eu vejo isso como um ato antissemita, um ato isolado, mas um ato de desrespeito e humilhação”, afirma o rabino.

    Outro lado

    A Secretaria de Administração Penitenciária disse em nota que não houve agressões físicas, morais ou psicológicas, mas que vai apurar devidamente o caso. Segundo a secretaria, os presos são tratados de forma padronizada e têm a barba e o cabelo cortados. Com relação ao americano, a secretaria alega ainda que a barba dele era muito longa, na altura do umbigo.

    “É um procedimento padrão, mas que comporta exceções. Estes agentes praticaram alguns crimes, como abuso de autoridade e certamente o crime de racismo, ao incitar e praticar o preconceito contra a religião, contra a crença e a etnia”, destaca o advogado Augusto de Arruda Botelho.

    É a mesma opinião do juiz Sergio Mazina Martins, especialista em direitos humanos e presidente do Instituto Brasileiro de Ciências Criminais (IBCCRIM). “Você quer impedir o indivíduo de ter determinada barba, determinado cabelo, quando, na verdade, isso para ele faz parte da sua cultura e da sua própria crença religiosa”, aponta.

    Agora solto, o engenheiro usa barba postiça. Ele espera a Justiça decidir se poderá aguardar o andamento do processo na Alemanha, onde diz viver. E não vê a hora de ir embora. “Quero ir para casa. Espero que eles não façam mais isso com judeus que querem manter sua barba”, diz.



    Escrito por Iossi Katri às 18h20
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