* Escrito e publicado em Janeiro de 2008 por ocasião da parashá de Itró.
A entrega da Torah no Monte Sinai é constantemente relembrada no Judaísmo. A própria Torah a realata por duas vezes, em Shemot (segundo livro da Torah, na parashá lida ontém) e novamente em Dvarim, além de outras menções. Sem dizer que temos um Iom Tov exclusivo para celebrar o recebimento da Torah, o Shavuot.
Muitos são os significados e os ensinamentos da própria entrega da Torah. Como o famoso argumento racionalista em favor da veracidade da Torah usando do fato que a revelação no Sinai foi coletiva, e nunca ninguém ter refutado este acontecimento, diferente de outros credos onde a revelação em si é basicamente para poucos. Outros, como os místicos, sempre procuram saber ‘o que mudou no mundo depois do entrega da Torah’, metafisicamente falando.
Um aspecto diferente e pouco conhecido a ser abordado é a mitsvá de recordar a entrega da Torah a cada dia. Uma das leituras interpretatórias desta mitsvá que mais me chamou a atenção é que devemos sempre lembrar que a Torah e os mandamentos que nós temos, vieram com algum motivo superior, um último objetivo. Não estavam aqui desde sempre e vieram por um motivo.
Segundo um dos filósofos, “fanático é aquele que no meio de seus esforços esquece o objetivo”. Apesar das mitsvot serem intriscincamente ações religiosas, o ser humano em sua cabeça, pode fazer delas um motivo para se orgulhar e desprezar outrem. Outra pessoa pode achar que o cumprimento de algumas mitsvot a cada dia, o redime de uma introspecção aprofundada sobre as verdadeiras qualidades de seu caráter.
O judaísmo reconhece como ninguém a importância das ações materiais. Entretanto, a Torah nos pede para que não esqueçamos que estas mesmas ações podem ser preciosas ferramentas para se transformar em uma pessoa melhor, ficar confortável com si mesmo e mais que isso, estar conectado com De’us.
SHABAT SHALOM! – Guia prático para desfrutar o shabat em casa,
Autoria de Rabino Avraham T. Beuthner, Editora Beit Lubavitch e Congregação Monte Sinai, 142 páginas.
Antes de analisarmos o presente livro, vale lembrar que é sempre muito bom, e um tanto raro, testemunhar lançamentos de livros judaicos escritos por rabinos e escritores brasileiros. Nada contra livros traduzidos, mas é melhor para um considerável público, como judeus brasileiros, ter escritores acostumados com sua mentalidade e maneiras de linguagem. Além disso, a quantidade de lançamentos de livros é um ótimo parâmetro para avaliar o desenvolvimento de qualquer sociedade, quanto mais na judaica.
Um poderia dizer, antes de ler ‘Shabat Shalom!’, que este livro não necessariamente atesta pujança e grande desenvolvimento judaico no Brasil uma vez que ao invés de inovar é apenas um “guia prático para desfrutar o shabat em casa”, sem adentrar no campo haláchico dos trabalhos proíbidos, endereçado para iniciantes. Pois isso é um engano. Não obstante ao fato do autor mânter-se fiel a sua proposta de elucidar didaticamente os costumes e algumas leis do shabat, é possível que um encontre novas informações e uma nova luz sobre o shabat mesmo cumprindo-o há dezenas de anos.
Nesta “luz” reside o grande mérito, importância e necessidade do livro. Enquanto o shabat é por natureza um dia passivo, pode carecer, para aqueles que iniciam, algum significado positivo. Para alguém que pouco conhece do shabat, e quer conhecê-lo melhor, as instruções, traduções das rezas, canções, histórias e as demais explicações são de grande luminosidade. As idéias cabalísticas, dicas de numerologia e o bom humor contido nas entrelinhas são também de extrema valia para iniciantes quanto para os veteranos.
O autor se refere brilhantemente a este último tipo de leitor, como também sou, com uma de suas várias parábolas (pág. 9), os comparando a quem lê um guia turístico sobre sua própria cidade natal – “tudo soa tão familiar...” – diz o Rabino. E tão menos empolgante... Certamente se comparado àquele que está tentando vender uma atração a um já inspirado e relaxado turista.
Pois é, o exclamado título, pra mim paradoxal quando junto de ‘shalom’ – “paz”, é um reflexo de todo o espírito demonstrado no decorrer do livro. Veemente entusiasmo, também percebido com muitos outros pontos de exclamação, e a desvelada propaganda do cumprimento do shabat.
Resumindo: um livro destinado a propagar o shabat, seja convencendo convencidos ou tentando a sorte com desconvencidos sem entretanto, jamais, discutir abertamente o shabat. O faz de maneira animada e agradável. Parabéns aos editores e ao autor R. Beuthner, conhecido entusiasta do judaísmo no Brasil.
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(Aqui me permito fazer um adendo com relação a outro rabino, Manis Friedman, consagrado autor de, entre outros, ‘Será que ninguém mais se envergonha?’ - merecedor de uma crítica por si só - e que aliás assina um texto no livro de R. Beuthner. Talvez esteja “pegando no pé”, mas alguém já reparou (ou se cansou com) sua escrita viciada em perguntas, respostas curtas e mais perguntas, num meio usado para afirmar sem explicar. Tal qual em ‘Shabat Shalom!’, o próprio título do livro citado já mostra as tendências. Para constar, no texto de uma página e meia publicado em Shabat Shalom!, Friedman pergunta nada menos que oito vezes.)
Segunda-feira,12 de janeiro de 2009 - 16 de tevet 5769
Menahem Perez está na loja em que trabalha,em Paris,quando um senhor de idade entra e lhe pergunta " Você é judeu ?" o que ele responde na mesma hora positivamente e faz a mesma pergunta ao senhor de idade,que lhe responde "sou sobrevivente de aushwitz,judeu com muito orgulho,mas não acredito em mais nada !!".
Espantado com a resposta,Menahem pede para tirar uma foto ao seu lado,com a intenção de mostrar a seus filhos.
Conversaram amistosamente em yidish e em seguida a historia saiu de sua cabeça.
Algum tempo depois a esposa daquele senhor entra em sua loja,pedindo uma copia da foto,Menahem disse que daria uma copia com o maior prazer,mas que gostaria de ver aquele homem novamente,pessoalmente.
Segunda-feira 11 de maio de 2009 - 17 de Iyar 5769
Salomon Blekmans,esse é seu nome, entra na loja e pega a copia da foto alegremente;Menahem não perde tempo e pergunta " O senhor teria dois minutos para fazer uma grande mitsvá ?"
"Mitsvá ? Quando fui deportado por Drancy,me enviaram pra Varsovia logo em seguida ao levante do gueto,meu trabalho lá era pegar centenas de corpos,colocar madeira em cima e queimar,antes os nazistas arrancavam dentes de ouro e outros objetos de valor;depois fui enviado pra aushwitz !! Não,mitsvot não são para minha pessoa !!
Menahem ficou desapontado e teve um "branco" durante alguns segundos,sem conseguir pronunciar nenhuma palavra;mas de repente o sr. Salomon diz "braço direito ou esquerdo ?"
Sem conter a emoção e alegria,Menahem pergunta se ele é destro ou canhoto e em seguida começa a colocar tefilin em seu braço direito,em cima do numero 65514.
sr. Salomon Blekmans e Menahem Perez na foto acima
Aos 90 anos o prisioneiro 65514 colocou tefilin pela terceira vez,em liberdade e sem ser chamado por um numero,mas sim pelo seu nome,Salomon.
Em seguida ambos fizeram um "lechaim",literalmente falando,usando boukha,uma tradicional bebida.
Abrindo a temporada de casamentos com o término dos dias de luto da contagem do Omer, foi realizado ontem a noite em Israel o casamento de Rishi Polack e nosso estimado amigo Yossi Paim.
Yossi Paim dançando em seu casamento
Desejamos mais uma vez ao casal muita sorte, felicidades e tudo de bom nessa nova etapa que se inicia. Mazal tov!