Neste domingo próximo estaremos celebrando o aniversário do passamento do Rebe de Lubavitch. O que foi na época, 14 anos atrás, um dia muito triste, considerado por muitos um desastre, hoje se tornou o dia em que os hassidim param pra se lembrarem do Rebe, interiorizar os seus ensinamentos e fazer uma introspecção sobre suas situações atuais e da comunidade.
Um pouco de sua história:
Nascido em Nikolayev na Ukrânia em 1902, o Rebe era o filho do rabino da cidade e desde cedo fora educado pra ser um dos maiores eruditos de todos os tempos. Presenciou a revolução comunista na União Soviética e teve que fugir destes e dos nazistas na sequência, migrando para os Estados Unidos no começo dos anos 40.
O Rebe que era descendente de uma linhagem nobre de rabinos chassídicos, conhecia de perto, por outro lado, o mundo secular. Estudou várias das matérias exatas nas universidades de Berlin e Sourbonne e mesmo na própria família ele tinha alguns parentes que não eram religiosos. Sholem Aleichem, um escritor definido pelo Rebe anterior como um epicurista que conhece o Criador e se rebela contra Ele, ele mesmo definiu o Rebe anterior como alguém que conhece o “mundo” e se rebela contra ele. É possível dizer que isso era ainda mais verdadeiro se tratando do Rebe.
O Rebe assumiu seu posto no lugar de seu sogro em 1950. A situação dos judeus naquela época pós Segunda Guerra estava de mal à pior. Mesmo que desde o princípio o Rebe já planejava a grande revolução na história do povo inteiro, nos primeiros anos o Rebe se fixou mais nos Estados Unidos. Num país liberal onde os judeus eram respeitados como cidadões, a emancipação estava custando os valores próprios dos judeus. Nesse cenário, O Rebe começou a dispertar nos judeus o orgulho em ser judeu através de suas investidas para educar os jovens, a primeira geração de judeus americanos.
Enquanto a influência do Rebe nos Estados Unidos se aprofundavam cada vez mais, ao mesmo tempo ele começou a enviar emissários para o resto do mundo, além de estabilizar uma comunidade chabad em Israel, que por sua vez também deixou uma importante marca na sociedade israelense. A imagem do religioso retrógado da velha Europa, foi trocada por um judaísmo vivo e dinâmico que veio pra preencher as necessidades de todos.
Assim, não há um país ou uma cidade no mundo, onde exista uma comunidade judaica minimamente estabilizada e numerosa onde não há um emissário do Rebe. É importante frisar aqui, que o movimento de aproximação entre religiosos e seculares, mesmo aqueles que não se identificam com o chabad, são influenciados diretamente pelo Rebe. Pois quando o Rebe começou, ele era o único.
De todas as qualidades do Rebe, como rabino erudito no judaísmo, um verdadeiro guia de seu povo, psicólogo pessoal de milhares, fundador de inúmeras instituições ao redor do mundo entre outras coisas, o que mais impressiona é como todas essas qualidades, algumas bem distintas, vinham todas juntas. É impossível separar as qualidades do Rebe uma das outras, pois de todos os lados e ângulos ele era o Rebe.
Acreditamos que a força do Rebe não era algo natural por completo. Acreditamos ainda, que seu passamento físico, não o separa de seus chassidim. É certo que hoje em dia de maneira mais espiritual, mas o seu legado continua muito vivo entre nós.
Nos resta orar para que com os méritos das boas resoluções a serem feitas neste 3 de Tamuz, um dia muito propício, aconteça em breve o maior desejo do Rebe em toda sua vida e o seu mais importante legado – que venha o Mashiach em breve e em nossos dias.
Acaba de acontecer um atentado terrorista atípico em Jerusalém. Um arabe que trabalhava nas obras na Rua Yafo, dirigiu com seu trator na contra-mão atingindo propositadalmente um ônibus que capotou e atropelando vários carros. Um policial presente no local do crime, atirou no motorista do trator que morreu na hora. Duas pessoas faleceram além do terrorista e 30 ficaram feridos.
A rua onde o atentado aconteceu é a principal rua do centro de Jerusalém. O choque nas pessoas está sendo enorme, inclusive neste que escreve, pois, não apenas é uma rua onde passo diariamente, como estava no local cinco minutos antes.
Pelo que parece, não foi um atentado programado por um grupo terrorista.
Veja um vídeo filmado nos momentos finais do ataque:
Aqui segue uma pequena entrevista publicada no ‘Entrevista Blogs’ com este que vos escreve. As perguntas foram mais voltadas para o lado do blog e menos para os conteúdos tratados no mesmo. Muitas das coisas escritas abaixo já é do conhecimento de vocês, mas é válido.
O link da entrevista no bom blog de Luciana Santos
1.Descrição do blog pelo autor Iossi Katri? R. Trato de assuntos que me interessam como um judeu brasileiro. Tento transmitir os valores, idéias e pensamentos judaicos de uma forma pessoal. Eu acho que cada religioso, mesmo dentro dos grupos religiosos, possuem uma crença pessoal, por isso escolhi o formato de blog. O meu blog serve pra passar meus pensamentos adiante, as vezes didaticamente, e sentir a reação dos leitores. Para a popularidade do blog passo algumas notícias um pouco pitorescas ou não, com algum comentário meu.
2.Como surgiu o blog Blog do Iossi - O Mundo Judaico no Século 21 e qual era objetivo? R. O judaísmo é uma religião milenar mas ao mesmo tempo dinâmica. O judaísmo hoje não é o mesmo do que havia no século passado e assim por diante. Por sinal, não intitulei o blog como o ‘judaísmo do ano 576’ (ano atual no calendário hebraico) para frisar que acredito que o milenar judaísmo tem muito a acrescentar em nossas vidas nestes tempos pós modernos. Talvez principalmente hoje em dia.
3.Onde esta localizado o local onde pratica sua fé? Se puder, explique um pouco sobre. R. A fé judaica deve ser praticada em todos os “locais” de nossa vida. Em casa na escola etc. Em termos de templos e sinagogas, como moro em Jerusalém tenho muita variedade pra escolher. As vezes freqüento uma sinagoga por causa da majestuosidade (The great synagogue of Jerusalem), outras por causa do rabino (sinagoga tsemach tsedek – Rabino Steinsaltz) e como não poderia faltar, o muro das lamentações.
4.Você faz algum trabalho de divulgação do blog? Quais os meios que utiliza e fale umpouco sobre eles. R. Fiz indexação no Google (que deve ser por onde vc me encontrou), e via orkut, onde tenho uma comunidade chamada ‘Judaísmo-Chabad Lubavitch’ onde debatemos assuntos atuais e a doutrina do movimento chabad lubavitch.
5.Falando em monetização e rentabilização de blogs, qual sua posição quanto a isso? E a qual a opinião dos judeus sobre isso? R. Não sei se os judeus tem uma opinião fixa quanto a isso. Pelo que imagino, os judeus sabem bem que todos precisam ter sustento… Se meu blog fosse uma espécie de observatório da comunidade judaico-brasileira, como em algum lugar dentro de mim gostaria que fosse, obviamente deveria ser independente, em todos os sentidos incluindo financeiramente, para ter a legitimidade moral de criticar. Na prática, eu não recebo dinheiro pelo blog e tenho essa independência. No entanto, por vários motivos, não faço criticas nominais, até porque a transmissão religiosa é mais importante que esse tipo de crítica e ambos não vão bem quando juntos.
6.Com que a freqüência que você escreve? Acredita na importância da qualidade ou quantidade de textos, ou dos dois? R. Não escrevo tanto como gostaria. Cerca de três a quatro post’s por semana. E não é a falta de tempo para teclar, e sim de estudar e estar afiado para preparar textos respeitáveis e, de certa forma, originais aos meus leitores. Meu blog passa longe de ser um diário das coisas que faço ou não faço. A freqüência dos post’s é importante, mas se a qualidade cair desproporcionalmente estaria pagando um preço caro demais por ela, trocando bons leitores por menos qualificados.
7.Você acompanha as estatísticas do blog? Pode dizer que textos ficaram mais populares? R. Infelizmente ainda não instalei o Google Analitics para analisar isso melhor. Mas recebo feedbacks via comentários (escassos) e-mail e amigos que lêem. Em geral, os melhores textos são os mais comentados.
8.Como você aborda temas complicados e complexos, para não dizer, polêmicos? Cite um exemplo de post do blog. R. Com um certo cuidado naturalmente. Tento ser elucidativo e se deixo espaço para o pensamento do leitor, não fiz meu blog pra confundir as pessoas. Uma vez escrevi um texto sobre a posição da mulher no judaísmo, um assunto meio delicado e que alguns religiosos fazem vista grossa. Expliquei minha posição claramente e a recepção pelos leitores foi ótima, mesmo pra aqueles que encaminhei pessoalmente. A propósito, escrevi o texto porque minha mãe me contou que estava precisando responder essa questão pra uma de suas alunas em Belo Horizonte. E eu mandei o texto por e-mail e pelo visto ela aceitou os argumentos.
9.Existe o preconceito para com os judeus? E dentro da Blogosfera existe este preconceito? R. Existe um pouco de preconceito pra quem escreve sobre judaísmo de uma maneira tão pessoal dentro do seio ortodoxo-judaico. Principalmente numa comunidade pequena e fechada como é no Brasil. Como não estou no Brasil, e já mostrei que não me importo, as pessoas tendem a respeitar e as vezes até ler, embora não inove muito pra eles. Gostaria muito que eu não fosse o único no gênero na língua portuguesa pra quebrar um pouco o gelo e pra ter que manter uma qualidade. Vamos ver.
10.Há necessidade de moderar os comentários? Costuma responder a todos os comentários; só aos que interessam ou a nenhum? R. São poucos. Tenho uma média de 50 a 60 entradas por dia. Destes muito poucos comentam…
11.Seus textos são direcionados a todos? R. Acredito que sim. Embora o leitor do meu blog tem que ter um mínimo conhecimento de judaísmo, mínimo pra entender tudo. Caso não fosse assim, os leitores que eu já tenho ficariam muito entediados… Mas com certeza, há coisas que servem pra todos.