O "spam-judaico"
Quantos spam-judaicos vocês recebem por semana? Hoje recebi um email com uma propaganda de uma colônia de férias infantil. Ao perguntar por que eles mandam email de maneira indiscriminada, fui respondido que embora eu passei da idade de participar de colônias e não ser um pai de família, poderia usar meus polos de influência para promover a tal colônia. Tá certo.
No entanto, isso me lembrou a grande quantidade de emails que recebemos pelo simples fato de sermos judeus. O que por um lado é um trabalho abnegado e importante (por exemplo, nos EUA os emails judaicos vem, sem justa causa, incomodando muito os partidários de Barack Obama à eleição), por outro, mostra uma certa falta de maturidade desta mídia que invade o espaço de vários destinatários que não tem nada a ver com a propaganda. Decidi fazer uma listinha, com vários ítens vindo direto da ‘lixeira’ do meu email (a expressão é forte, mas as vezes eu dou uma olhada nesses emails). Aqui vão eles:
Categoria *Newsletter:
Jornal ALEF – Enviado algumas vezes por semana. Não é ruim, mas se enfoca apenas na comunidade carioca.
PLETZ.com - Newsletter típica: notícias de Israel, Holocausto e alguma obra de arte com motivos judaicos recebem seus devidos destaque.
NEWSLETTER DA GLORINHA COHEN – Temas ecléticos embora tratados superficiamente. Lembra a antiga revista ‘O Hebreu’.
*A brilhante Notícias da Rua Judaica não entra na categoria ‘spam-judaico’.
Categoria Congregações:
MAKOM – Pelo visto é a newsletter da congregação Monte Sinai. Acabei de abrir pela primeira vez! (Embora recebi também um email da Monte Sinai sem referência ao Makom – estranho.)
Espaço K – “Participe da gincana e conocrra a um Iphone!”, é o título do último email que recebi.
Beit Lubavitch RJ – De todos, Leblon, Barra e Copacabana.
Sinagoga Beit Menachem SP – É válido.
Aish Brasil – Um dos bons exemplos da indiscriminância dos spams. Não sei se eu seria bem vindo por lá. Caso não for, poderei dizer que recebi seguidos convites pelo email.
Beit Chabad do Morumbi – `Lugar de se encontrar`, gosto deste jogo de palvras.
CONIB: O site da organização ou a organização do site?
Esta categoria ainda é bem mais extensa.
Categoria colônias de férias:
Gan Israel TEEN CAMP: Quando eu participei muitos anos atrás era só Gan Israel.
NR Kasher: A estimada Nosso Recanto tem sua versão Kasher.
Categoria didática:
Chassidismo: Quem me dera eu tivesse tempo pra ler a cada semana os brilhantes emails preparados por Moishe Kleinberg. O problema é que o chassidismo é dividido em vários email’s e fica um tanto pesado.
TORAH Mail: Talvez o mais popular na área. Inclusive os emails enviados em determinada época viraram um livro.
BDK Kasher: Importante organização, contribuindo muito com a alimentação Kasher no Brasil.
Escrito por Iossi Katri às 08h59
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A comida Kasher - e o Mc Donald`s
Engana-se quem pensa que a religião aprova toda comida desde que ela for Kasher. Na verdade, a relação do religioso com a comida, de maneira geral, tende a ser ambígua e intensa.
A comida pode servir como uma maneira de interagir com toda a existência, os reinos animal, vegetal e inanimado, elevando-os quando as energias obtidas pela alimentação são usadas para viver uma vida de valores e bons costumes. Justamente por isso, os momentos da alimentação, reconstituem em certos aspectos, os sacrifícios ofertados no Templo Sagrado.
O alimento consegue dar uma sobrevida a pessoa, explica a chassidut, pela centelha divina presente em cada substância do mundo, que de certa maneira, está esperando ser elevada pelo ser humano e voltar a sua fonte na divindade. As benções recitadas antes e depois da alimentação servem como uma chave para a elevação, nos lembrando do objetivo deste importante ato, e, outrossim, fazendo que as centelhas se elevem de fato.
Por outro lado, sabemos que as pessoas podem acabar se levando pelos deleites da comida que materializam muito a pessoa, acostumando-se a viver com prazeres instantâneos, além do fator petrificante que a comida em excesso sabe exercer. Muitas vezes, o prazer da comida é uma porta para outros prazeres que desenbocam em pecados de verdade. Por isso, de acordo com o Tania, as comidas que não são ingeridas com objetivos de alimentação, são consideradas do mundo das kelipot, do mundo do mal.
Esta ambiguidade é bem definida pelo Talmud: “A hora da alimentação é uma hora de guerra”. Os instintos bom e mal tentam usar do mesmo ato e no mesmo instante, um ponto para o seu lado. As vezes essa guerra é fria, cada um tentando ser dasepercebido, ou pode ser acirrada com cada lado tentando se impor à força. Existem pessoas que fazem este “trabalho da alimentação”.
Tudo o que foi escrito até aqui é muito conhecido, mesmo que não praticado, para alguém que vive em um grande centro judaico em Israel, Estados Unidos e até em Buenos Aires. No Brasil, o mercado Kasher ainda não está suficientemente desenvolvido, mesmo em São Paulo, o que dificulta muito encarar a comida como uma faca de dois gumes como é proposto pela religião. Se está comendo Kasher, muito obrigado! E uma vez que se consegue comer uma comida de qualidade, temos é mais que aproveitar.
Será que deveria ser assim? Enquanto o objetivo da “dieta kasher” é limitar e elevar a pessoa em sua relação com a comida, acaba ficando que, justamente por seguir esta dieta, as pessoas ficam mais materializadas ainda. É sem dúvida algo para se pensar.
Admito que o que motivou a escrever este texto foi o evento do Mc Donald’s Kasher realizado em São Paulo onde centenas ou milhares de pessoas ficaram na longa fila para ter o seu hamburger. Talvez para alguns, pela raridade, comer Kasher é considerado algo religioso. Convenhamos no entanto, que qualquer pessoa com um mínimo de sensitividade sabe perceber que comer no Mc Donald’s não é uma experiência recheada de valores espirituais.
Tenho a impressão de que um dia de Mc Donald’s Kasher na Faria Lima, incentiva mais as pessoas a comerem kasher que mil seminários e blogues a respeito. Por isso, não me entendam mal, não estou criticando o próprio evento. Mas, em nome da saúde da religão judaica brasileira, manifesto aqui uma voz em outra direção da convencional.
Pois, mesmo se o judaísmo estiver em má fase, ou numa versão um tanto pobre de espírito, ele, o autêntico, sempre saberá se diagnosticar com precisão. Pelo menos isso.
*corrigido

A fila para o Mc Donald’s. Repare o irreverente Adam Guz no centro da foto
Para mais fotos (do portal shturem):clique aqui
Escrito por Iossi Katri às 08h15
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Porções da semana - Shelach e Korach
Lemos ontém na Torah na porção de Shelach sobre os espiões enviados a Terra Prometida para ver de onde seria mais fácil conquistá-la e quais seriam as dificuldades da conquista. Eles voltaram dizendo que prefereriam ficar no deserto.
A chassidut explica que, na verdade, os espiões não queriam ter uma vida religiosa ligada as ações práticas e ao mundo terreno. Receber o maná dos céus e ficar o resto do dia estudando e refletindo era melhor pra eles. Não obstante, o plano divino para os judeus era justamente o contrário. Pois, como sabemos, no judaísmo, “a ação é o principal”.
Daí vem a continuação na próxima porção, Korach, um dos líderes do povo queria fazer uma revolução contra Moshe dizendo: “Toda a congregação é sagrada e por que vocês (Moshe e Aharon) se elevarão ante o resto do povo?” Uma vez que aprendemos que a ação é o principal, então, entre as mitsvot dos grandes justos e do resto do povo não há nenhuma diferença.
Como leremos na próxima semana, De’us não recebeu o argumento de Korach e de seus seguidores. Pois, por mais que apreciamos as ações, De’us quer “ações iluminadas”, com sentimentos e intenções.
Sobre este tema, republico abaixo um texto escrito há um tempo atrás chamado:
‘O Beijo chassídico’
No livro Haiom Iom - Traduzido pela Editora Beit Lubavitch com o título de 'Dia a Dia encontramos uma anedota que pode passar desapercebida, mas na minha opinião contém um dos grandes fundamentos da doutrina chabad.
"Uma vez o quinto Rebe da dinastia chabad - o Rashab que era o pai do sogro e antecessor do Rebe - estava observando seu filho único cochilando no meio de seu estudo. A pureza e a luminosidade que o ainda futuro Rebe irradiava extasiaram o Rebe Rashab que ficou com uma forte vontade de lhe dar um beijo. Mas decidiu não lhe beijar, se sentou e escreveu um maamar - discursso chassídico em homenagem a seu filho. Quando seu filho se despertou, lhe mostrou o que escrevera e acrecentou, este é o beijo chassídico."
Todo jovem iniciante numa yeshivá Chabad conhece esta passagem. Pessoalmente, a conheço à muito tempo, mas nunca ouvi uma explicação ou interpretação sobre esta história. Que se nos foi contada, ainda mais no Haiom iom, deve ter algum significado por trás. Proponho a minha leitura sobre esta anedota.
Para entendermos, introduzo alguns pontos. Estar extasiado significa que naquele momento, estamos em certo aspecto fora de nós mesmos. Em termos práticos, neste momento, focado no que nos maravilha paramos de pensar ou se preucupar com coisas imortantes de nossas vidas, que ao mesmo tempo podem ser triviais, como fome e dinheiro etc. Podemos nos extasiar com uma pessoa, isto é nos apaixonar, como numa obra de arte ou assistindo uma peça de teatro ou num filme. Em todas estas, fora de nós mesmos.
Assim entendemos porque muitas pessoas no decorrer ou no final de um filme beijam seus cônjuges. A pessoa já está meio fora de si assistindo o filme, aproveita o gancho para se entregar à paixão.
Este beijo, por exemplo, materializa e oficializa esta saída do 'eu' convencional. As ações decorrentes de sentimentos, podem ser consideradas o àpice da experiência sentimental. Por outro lado, por ser o àpice, fazem o término do sentimento. Este sentimento será a partir de agora um mero objeto de nostalgia.
Esse processo é muito normal, como qualquer amor seguido de sexo.
A diferença no comportamento do Rebe, é que ao invés de optar por uma ação, digamos pura, bruta e essencialmente intrísceca como um beijo, ele prefere traduzir este sentimento num discurso chassídico. Discurso chassídico, que para escrevê-lo é necessário usar de toda sua sabedoria, raciocínio e conhecimento. Mostrando que é possível pensar logicamente estando apaixonado. É este o beijo que o Rebe oferece a seu filho. Sendo, que o filho ao acordar, diferentemente caso tivesse recbido um beijo material, ele poderá receber o beijo.
Isso na verdade, é o que a doutrina Chabad prega no próprio nome. Usar o intelecto para amar, ou amando. E tentando ser fiél a ambos, tanto é que um leitor desavisado lerá aquele discurso chassídico e se impressionará pela lógica e inteligência impregnada, poderá não perceber o fundo amoroso a De-us e a ao filho que motivaram e deram o tom ao discursso.Não menos importante notarmos, a tendência da doutrina, de destacar os significados das ações. Em outras palavras, colocar a ênfase nas palavras do cartão que acompanha as flores e menos nas flores.
Este é o beijo chassídico. E é também o estudo de Torá chassídico, o ascendimento das velas de shabat da maneira chassídica e assim por diante em todas as facetas de nossa vida. Da pessoa ao próximo e das pessoas à De-us.
Escrito por Iossi Katri às 08h59
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