Sobre o mandamento da 'vaca vermelha' diz a Torah, na porção da nossa semana: "Este é o dogma da Torah", uma vez que esta mitsvah aparenta ser imcompreensível em muitos de seus detalhes. Tem inclusive em determinado caso um desafiador paradoxo quando ao invés de purificar como de costume, as cinzas da vaca vermelha impurificam o sacerdote que com elas teve contato. Por essas e outras, embora hajam na Torah outras mitsvot que tampouco possuem motivos lógicos, como as leis de kashrut por exemplo, "este é o dogma da Torah".
Com outras palavras, o interpretador Rashi escreve ao explicar o 'dogma da Torah': "pelo fato de o Satan e os povos contarem Israel por essa mitsvá e perguntarem 'o que é este mandamento e qual motivo tem nele', foi dito aqui a palavra 'dogma' - 'um decreto é perante mim (De'us) e você não tem permissão para suspeitar dele'."
Rashi parece estar complicando o que era simples. O que é esta estranha influência da opinião do Satan e dos povos no texto da Torah? São eles quem definem o que é mais ou menos dogma? Parece que sim.
Eis aqui um ensinamento importante, também para os dias atuais: nem sempre a melhor maneira de lidar com críticas ou desaprovação de nossas maneiras por parte de outrem é o convencimento ou a explicação. Você não gosta do meu caminho? Talvez isso não é meu problema. Isso também vale no debate do judaísmo praticante com seus críticos. Há momentos e pessoas destinadas à troca de idéias e ao debate que são os pilares da evolução e do desenvolvimento, mas que não necessariamente devem influir sempre no comportamento de quem está dentro, sendo debatido por quem está fora.
Uma questão de respeito próprio.
É possível ilustrar esta idéia com uma mgistral anedota judaica, que segue:
"Era uma noite de outono no shteitel, para ela estava frio, como em todos os casais, enquanto para ele estava apenas agradável. - Feche a janela Yenkel - ela ordenou - está frio lá fora! E se eu fechar a janela, Sarah, - perguntou Yenkel - ficará menos frio lá fora?"
Pois há vezes que se combate o frio, o barulho entre outros simplesmente fechando as portas. Pedir silêncio não garante o fim do barulho, tal qual uma explicação pode não resistir, diferentemente do dogma. Aqueles que contaram e contam Israel por causa do mandamento da vaca vermelha se substituem com o tempo, já Israel segue seu caminho adiante por milhares de anos, não apesar, mas, fortes como e por causa de dogmas.
Os chassidim têm o costume de escrever uma carta com orações, endiraçadas a De'us obviamente, que se chama 'pidion nefesh' - 'resgate da alma' à ser lido no túmulo do Rebe. O dia do aniversário de falecimento é propício para que nossas orações sejam atendidas.
Li recentemente um pan que me chamou a atenção pela pureza e sinceridade:
"Rebe, peça para De'us para que nossa família seja protegida, tal qual todos os judeus e os brasileiros. Peça também para que a gripe suína termine e que ninguém morra por causa dela." Amen.
Já se passaram quase 30 anos que Caetano Veloso estava em um engarrafamento,quando de repente um desconhecido se aproximou a pé de seu carro e falou "John Lennon Morreu";em seguida o homem foi embora deixando Caetano perplexo e sem entender nada,somente depois de algum tempo soube que a informação era verdadeira.
No ultimo guimel tamuz chassidim do mundo inteiro lembravam o falecimento do Rebbe e foram surpreendidos pela noticia da morte de Michael Jackson.
Logo ele,que sempre lutou de forma doentia contra o envelhecimento e morte,fazia tratamentos em camera de oxigenio,plasticas,etc se recusando a assumir que era adulto e querendo ser eternamente criança,Peter Pan & Neverland(seu rancho).
Tsadikim não morrem,seja Moshe Rabenu ou o Rebbe,entre muitos outros.
Mitos e personalidades igualmente ficam imortalizados pelas obras que deixaram,seja Michael jackson,Elvis Presley,John Lennon,Einstein,etc apenas citando alguns.
A diferença está no ponto em que tsadikim continuam vivos mesmo estando ausentes fisicamente.
Isso não significa que se deve ver "fantasmas" ou negar a morte do rebbe z"l,por exemplo.
Mas e nós,pobres mortais ?
Por mais que se diga que a unica certeza da vida é a morte,que aos 120 anos vamos abandonar esse mundo,que se formos embora antes foi hasgachat pratit e temos que ter emuná & bitachon,que além disso temos 2 mundos e não devemos temer a morte,na pratica acredito ser bem diferente.
Depois de ver o noticiario ser bombardeado com a tragedia do voo da air france,mesmo sabendo que acidentes de transito são mais comuns do que acidentes aereos,alguem consegue deixar de pensar no assunto ao estar dentro de um avião ? Eu não....
Moach shalit al-halev ou lev shalit al-hamoach ? Eis a questão.
Finalizando com 2 indagações,uma seria e verdadeira,outra nem tanto(ou nada).
1 - Seria Michael Jackson descendente do rei david ?
Celebramos nesta semana o aniversário do passamento do Rebe de Lubavitch ocorrido há 15 anos atrás, no dia de 3 de Tamuz de 57654. O Rebe é tido por mutios como o líder da geração e seu legado ainda inspira muitos seguidores e simpatizantes. Combinando a parashá da semana que nos encontramos e a liderança do Rebe nos moldes atuais, segue uma pequena história chassídica.
“Conta-se que o Rebe Mendel de Kotsk acreditava conhecer o passado de sua alma, inclusive em encarnações dos tempos bíblicos. Uma vez perguntaram-lhe qual fora sua participação, contra ou a favor, nos dias do levante de Corach (Coré) contra Moshé.
- Nessa ocasião, - disse o Rebe – fiquei de lado verificando o que iria acontecer e não participei.
Os chassidim deveras se espantaram – como poderia o Rebe não se colocar ao lado de Moshe e lutar pela honra do ‘líder da geração’ escolhido por De’us?!
O sempre polêmico Rebe esclareceu: -eu não quis entrar em machloket – discórdia e brigas.”
Esta história de grande valos em tempos como o nosso quando é preciso primeiramente, para ser considerado um chassid, acreditar que o Rebe é pra lá de Mashiach e que sempre possuiu os maiores poderes, convencer os descrentes disto tudo e brigar com aqueles que não o seguem.
Um dos maiores desafios do líder de qualquer geração, e na nossa não é diferente, é o problema da desunião. O Rebe lutou em prol da união do povo e não é justo para com ele e com seu legado fazer discórdia em Israel por causa do próprio Rebe, seja qual for a razão. Tal qual nos ensinou o Rebe de Kotsk, o Moshé da geração pode se defender sozinho. Você, por favor, caso goste do Rebe, siga seus ensinamentos, mas não se meta em machloket.
* * *
Pregação ao medianismo? Não combina com o Rebe de Kotsk. Tanto é que ele não esteve lutando contra a revolta, ficou verificando o que aconteceria. Muitas coisas boas podem sair do debate, mesmo que haja uma ponta de intriga. Por exemplo, a atual crise no Senado, pra quem não se lembra, teve seu começo a partir de uma disputa presidência da Casa. Embora a crise não seja boa em si, não fosse a disputa, os casos de corrupção continuariam desconhecidos.
Não,não é nenhum desses programas televisivos com pegadinhas e cassetadas,mas poderia até ser.
Esses videos que circulam no mundo da internet acabam fazendo sucesso,seja deixando as pessoas rindo ou até mesmo ficando horrorizadas,como foi para alguns o caso do menino de um dos videos abaixo.
A ultima febre no mundo fashion,sucesso em todas as passarelas,desfiles e em todos os circuitos,Paris,NY,Londres,SP e Tel Aviv(what?) é uma camiseta elegante,confortavel e bonita,que demonstra o amor e carinho que todos tem pelo casal Iossi & Lela.
I love NY é passado,vista a camisa I love Iossi & Lela e não se esqueça de deixar seu comentario ao casal !!!
Um veterano da segunda guerra mundial chamado Ted Mogil,de Mercer Island,conseguiu recuperar seu sidur após mais de 60 anos.
Um garoto de 12 anos de Iowa encontrou o livro de orações,que acompanhou Ted durante 3 anos no Pacifico;ele carregava seu sidur no bolso da camisa,perto do coração.
Após se casar e se mudar para a California em 1948,seu sidur desapareceu e ele nunca soube do paradeiro,até semana passada quando o telefone tocou e do outro lado da linha estava o garoto de Iowa.
O livro tinha sido doado junto com varios outros pelo proprio Ted para sua sinagoga em Nebraska,antes de se mudar;o garoto comprou o livro em uma feira por 15 dolares e teve a grande missão de devolver ao seu dono,como Ted mesmo comentou "ele fez uma grande mitsvá".
A historia acima,muito bonita por sinal,me fez lembrar de uma outra,que ouvi cerca de 12 anos atras.
Um turista em visita ao Brasil contou que um shaliach estava em uma estrada no Canadá e perdeu o caminho,entrando em uma pequena cidade desconhecida na beira da estrada;chegando lá foi abastecer o carro e fazer pequenas compras para seguir viagem,quando foi abordado por moradores,surpresos ao avistar um rabino naquela região.
Logo,o rabino foi informado que havia falecido um judeu na cidade e os moradores não sabiam o que fazer com o corpo,já iam enterra-lo em um cemiterio local não judaico,sendo que provavelmente era o unico judeu que havia naquela cidade;o rabino meio desnorteado disse que poderia se encarregar de tudo,depois de resolver a burocracia e etc,pegou novamente a estrada,dessa vez com um caixão no carro,se dirigindo a cidade mais proxima com uma kehilá,onde foi possivel fazer o funeral de acordo com as tradições judaicas.
Nú ??!!!
Na cidade onde havia a kehilá foi constatado que aquele homem recém falecido era um grande colaborador da chevra kadisha local,onde sempre ajudava com tsedaká.
Moral da historia : Alguem que sempre ajudou a chevra kadisha de uma outra cidade,sempre fazendo tsedaká,não poderia ficar sem um enterro judaico.
* Escrito e publicado em Janeiro de 2008 por ocasião da parashá de Itró.
A entrega da Torah no Monte Sinai é constantemente relembrada no Judaísmo. A própria Torah a realata por duas vezes, em Shemot (segundo livro da Torah, na parashá lida ontém) e novamente em Dvarim, além de outras menções. Sem dizer que temos um Iom Tov exclusivo para celebrar o recebimento da Torah, o Shavuot.
Muitos são os significados e os ensinamentos da própria entrega da Torah. Como o famoso argumento racionalista em favor da veracidade da Torah usando do fato que a revelação no Sinai foi coletiva, e nunca ninguém ter refutado este acontecimento, diferente de outros credos onde a revelação em si é basicamente para poucos. Outros, como os místicos, sempre procuram saber ‘o que mudou no mundo depois do entrega da Torah’, metafisicamente falando.
Um aspecto diferente e pouco conhecido a ser abordado é a mitsvá de recordar a entrega da Torah a cada dia. Uma das leituras interpretatórias desta mitsvá que mais me chamou a atenção é que devemos sempre lembrar que a Torah e os mandamentos que nós temos, vieram com algum motivo superior, um último objetivo. Não estavam aqui desde sempre e vieram por um motivo.
Segundo um dos filósofos, “fanático é aquele que no meio de seus esforços esquece o objetivo”. Apesar das mitsvot serem intriscincamente ações religiosas, o ser humano em sua cabeça, pode fazer delas um motivo para se orgulhar e desprezar outrem. Outra pessoa pode achar que o cumprimento de algumas mitsvot a cada dia, o redime de uma introspecção aprofundada sobre as verdadeiras qualidades de seu caráter.
O judaísmo reconhece como ninguém a importância das ações materiais. Entretanto, a Torah nos pede para que não esqueçamos que estas mesmas ações podem ser preciosas ferramentas para se transformar em uma pessoa melhor, ficar confortável com si mesmo e mais que isso, estar conectado com De’us.
SHABAT SHALOM! – Guia prático para desfrutar o shabat em casa,
Autoria de Rabino Avraham T. Beuthner, Editora Beit Lubavitch e Congregação Monte Sinai, 142 páginas.
Antes de analisarmos o presente livro, vale lembrar que é sempre muito bom, e um tanto raro, testemunhar lançamentos de livros judaicos escritos por rabinos e escritores brasileiros. Nada contra livros traduzidos, mas é melhor para um considerável público, como judeus brasileiros, ter escritores acostumados com sua mentalidade e maneiras de linguagem. Além disso, a quantidade de lançamentos de livros é um ótimo parâmetro para avaliar o desenvolvimento de qualquer sociedade, quanto mais na judaica.
Um poderia dizer, antes de ler ‘Shabat Shalom!’, que este livro não necessariamente atesta pujança e grande desenvolvimento judaico no Brasil uma vez que ao invés de inovar é apenas um “guia prático para desfrutar o shabat em casa”, sem adentrar no campo haláchico dos trabalhos proíbidos, endereçado para iniciantes. Pois isso é um engano. Não obstante ao fato do autor mânter-se fiel a sua proposta de elucidar didaticamente os costumes e algumas leis do shabat, é possível que um encontre novas informações e uma nova luz sobre o shabat mesmo cumprindo-o há dezenas de anos.
Nesta “luz” reside o grande mérito, importância e necessidade do livro. Enquanto o shabat é por natureza um dia passivo, pode carecer, para aqueles que iniciam, algum significado positivo. Para alguém que pouco conhece do shabat, e quer conhecê-lo melhor, as instruções, traduções das rezas, canções, histórias e as demais explicações são de grande luminosidade. As idéias cabalísticas, dicas de numerologia e o bom humor contido nas entrelinhas são também de extrema valia para iniciantes quanto para os veteranos.
O autor se refere brilhantemente a este último tipo de leitor, como também sou, com uma de suas várias parábolas (pág. 9), os comparando a quem lê um guia turístico sobre sua própria cidade natal – “tudo soa tão familiar...” – diz o Rabino. E tão menos empolgante... Certamente se comparado àquele que está tentando vender uma atração a um já inspirado e relaxado turista.
Pois é, o exclamado título, pra mim paradoxal quando junto de ‘shalom’ – “paz”, é um reflexo de todo o espírito demonstrado no decorrer do livro. Veemente entusiasmo, também percebido com muitos outros pontos de exclamação, e a desvelada propaganda do cumprimento do shabat.
Resumindo: um livro destinado a propagar o shabat, seja convencendo convencidos ou tentando a sorte com desconvencidos sem entretanto, jamais, discutir abertamente o shabat. O faz de maneira animada e agradável. Parabéns aos editores e ao autor R. Beuthner, conhecido entusiasta do judaísmo no Brasil.
***
(Aqui me permito fazer um adendo com relação a outro rabino, Manis Friedman, consagrado autor de, entre outros, ‘Será que ninguém mais se envergonha?’ - merecedor de uma crítica por si só - e que aliás assina um texto no livro de R. Beuthner. Talvez esteja “pegando no pé”, mas alguém já reparou (ou se cansou com) sua escrita viciada em perguntas, respostas curtas e mais perguntas, num meio usado para afirmar sem explicar. Tal qual em ‘Shabat Shalom!’, o próprio título do livro citado já mostra as tendências. Para constar, no texto de uma página e meia publicado em Shabat Shalom!, Friedman pergunta nada menos que oito vezes.)
Segunda-feira,12 de janeiro de 2009 - 16 de tevet 5769
Menahem Perez está na loja em que trabalha,em Paris,quando um senhor de idade entra e lhe pergunta " Você é judeu ?" o que ele responde na mesma hora positivamente e faz a mesma pergunta ao senhor de idade,que lhe responde "sou sobrevivente de aushwitz,judeu com muito orgulho,mas não acredito em mais nada !!".
Espantado com a resposta,Menahem pede para tirar uma foto ao seu lado,com a intenção de mostrar a seus filhos.
Conversaram amistosamente em yidish e em seguida a historia saiu de sua cabeça.
Algum tempo depois a esposa daquele senhor entra em sua loja,pedindo uma copia da foto,Menahem disse que daria uma copia com o maior prazer,mas que gostaria de ver aquele homem novamente,pessoalmente.
Segunda-feira 11 de maio de 2009 - 17 de Iyar 5769
Salomon Blekmans,esse é seu nome, entra na loja e pega a copia da foto alegremente;Menahem não perde tempo e pergunta " O senhor teria dois minutos para fazer uma grande mitsvá ?"
"Mitsvá ? Quando fui deportado por Drancy,me enviaram pra Varsovia logo em seguida ao levante do gueto,meu trabalho lá era pegar centenas de corpos,colocar madeira em cima e queimar,antes os nazistas arrancavam dentes de ouro e outros objetos de valor;depois fui enviado pra aushwitz !! Não,mitsvot não são para minha pessoa !!
Menahem ficou desapontado e teve um "branco" durante alguns segundos,sem conseguir pronunciar nenhuma palavra;mas de repente o sr. Salomon diz "braço direito ou esquerdo ?"
Sem conter a emoção e alegria,Menahem pergunta se ele é destro ou canhoto e em seguida começa a colocar tefilin em seu braço direito,em cima do numero 65514.
sr. Salomon Blekmans e Menahem Perez na foto acima
Aos 90 anos o prisioneiro 65514 colocou tefilin pela terceira vez,em liberdade e sem ser chamado por um numero,mas sim pelo seu nome,Salomon.
Em seguida ambos fizeram um "lechaim",literalmente falando,usando boukha,uma tradicional bebida.
Abrindo a temporada de casamentos com o término dos dias de luto da contagem do Omer, foi realizado ontem a noite em Israel o casamento de Rishi Polack e nosso estimado amigo Yossi Paim.
Yossi Paim dançando em seu casamento
Desejamos mais uma vez ao casal muita sorte, felicidades e tudo de bom nessa nova etapa que se inicia. Mazal tov!