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Blog do Iossi - O Mundo Judaico no Século 21


Uma piada

Por DUDI CHASSIN

Um inconsolado jovem chegou reclamando pra seu rabino na yeshivá: - Me apresentaram uma mulher que é surda!

 - Isso pode ser uma vantagem, respondeu o rabino – Ela não escutará maledicências.

 - Mas ela também é  muda! – Suplicou o jovem.

 - Pois ela também não dirá maledicências, exclamou o Rabino.

 - Tá bom, o jovem continuou – o que fazer com o fato que ela é manca?

 - Meu bom jovem, contestou o Rabino - um defeito entre tantas qualidades não é nada.



Escrito por Iossi Katri às 11h36
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Munich 1972

Do Blog do Birner

De Xico Malta

Uma cerimônia organizada pela embaixada de Israel e o Comitê Olímpico Internacional, foi realizada segunda-feira passada, 19 de agosto, no hotel Hilton de Pequim, para homenagear os 11 atletas assassinados por terroristas palestinos durante a Olimpíada de Munique, em 1972.

Centenas de pessoas estavam presentes a cerimônia, dentre elas, o Ministro israelense das Ciências, Cultura e Esporte, Rabele Majadele, o ex-técnico do Chelsea, Avraham Grant, e o ex-presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), Juan Antonio Samaranch (1980-2001).

A cerimônia foi encerrada sob a linda melodia de Hatikva, o hino nacional do Estado de Israel.

A tragédia
Uma semana após o inicio dos Jogos Olímpicos de Munique, no dia 5 de setembro de 1972, às quatro horas da manhã, oito homens armados se infiltraram na vila olímpica, adentrando nos quartos do bloco 31 onde dormia a delegação israelense.

Dos quinze atletas presentes, dois foram mortos na tentativa de resistir aos intrusos, o terceiro conseguiu escapar pela janela e outro conseguiu fugir um pouco mais tarde.

Onze israelenses ficaram em poder dos terroristas.

Com a chegada da policia, o líder dos seqüestradores entregou uma carta com algumas reivindicações, com isso, todos ficaram sabendo a origem dos terroristas: “Setembro Negro”, facção terrorista da OLP, cujo nome foi inspirado no massacre dos grupos armados palestinos pelo rei Hussein da Jordânia em setembro de 1970.

De acordo com a tradição de Pierre de Coubertin, o COI quis se mostrar apolítico.
Com o anúncio do atentado, o presidente do COI pressionou as autoridades alemãs para que levassem os seqüestradores e seus reféns para fora da vila olímpica. O objetivo era bem claro: recomeçar os Jogos  mais rapidamente possível, o restante não importa!

Apressadas, as autoridades alemãs negociaram com os terroristas a sua ida para o Egito.

Na noite do dia seguinte foi organizada a transferência dos terroristas e dos israelenses ao aeroporto. Na chegada dos dois helicópteros na pista de pouso, de maneira totalmente improvisada, a polícia tinha posicionado snipers em diversos lugares.

A tragédia teve início com a desastrosa abordagem realizada pela polícia de Munique na tentativa de libertar os reféns. Três dos oito terroristas foram mortos. Os outros sobreviventes, encurralados, tiveram tempo de jogar uma granada dentro de um dos helicópteros e de atirar no segundo onde estavam amarrados os israelenses. Todos foram mortos. Um policial alemão também morreu durante a troca de tiros. Três terroristas sobreviveram e foram capturados pelos policiais.

Os Jogos Olímpicos foram suspensos e foi feita uma homenagem pela memória das vítimas dentro do estádio olímpico. Depois de uma pausa de 34 horas, o COI ordenou o reinicio dos Jogos.

Vídeos sobre o acontecimento:
http://www.youtube.com/watch?v=sNfIiXHiwLc

http://www.youtube.com/watch?v=o7jD0fvYruw&feature=related

                                                                               

Nota deste blog: Ós atentados nas Olimpíadas de Munich, falo isso sem um estudo histórco aprofundado, marcaram a transformação do anti-semitismo clássico para o sentimento bastante difundido Anti-Israel. E nada mais enfático do que o assassinato de esportistas numa olimpíada para mostrar o quão retrógado esse sentimento é, que, em geral, não tem nada a ver com os problemas dos palestinos.

Mais um registro: o Ministro israelense das Ciências, Cultura e Esporte, Rabele Majadele é de origem arabe, representando alguma coisa de muito importante, sendo o primeiro na história de Israel.



Escrito por Iossi Katri às 11h17
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No olho dos outros é refresco...

Do G1

Os correspondentes da TV Globo Marcos Losekann e Paulo Pimentel foram seqüestrados durante cinco horas no Líbano e interrogados por integrantes do grupo terrorista Hezbollah. Eles faziam reportagem sobre uma lanchonete temática em Beirute que serve refeições ao som de tiroteios e ataques aéreos. O restaurante, que se inspirou nos conflitos do Oriente Médio para atrair clientes, fica no bairro controlado pelos militantes do grupo guerrilheiro.

A lanchonete tem sanduíches com nomes de armas, pratos inspirados em atos terroristas e refeições embaladas com papel camuflado, tudo preparado por um cozinheiro vestido como um soldado. Para completar, o ambiente é decorado com reproduções de armas e munições e redes de camuflagem.

Pode parecer de mau gosto, mas a "Buns and guns", que em português significa "pães e armas", é a lanchonete mais agitada de Beirute.

A inspiração veio da vizinhança: ela fica no coração do Dahiye, o bairro controlado pelo Hezbollah, o "partido de Deus".

O grupo terrorista também atua na política, luta contra Israel e faz oposição ao governo libanês.

É como um Estado dentro de outro Estado. Tanto que, aqui, a credencial de imprensa emitida pelo Ministério das Relações Exteriores do Líbano, não vale nada.

No meio da gravação na lanchonete, militantes do grupo apareceram de repente e mandaram que a equipe embarcasse em carros com cortinas que impediam a visão externa. Sob a mira de armas, eles foram presos e interrogados.

O equipamento foi apreendido, assim como os telefones celulares e documentos.

Cinco horas depois, eles foram libertados com a ordem de voltar a Londres no primeiro avião. Os militantes devolveram os celulares, mas sem os cartões de memória. Da câmera de vídeo, eles retiraram a fita, mas não perceberam que a original, com as imagens exibidas na reportagem, havia sido trocada por outra.

O Consulado do Brasil em Beirute apresentou uma queixa formal contra os abusos sofridos pela equipe. O governo do Líbano admitiu que, contra o Hezbollah, pouco ou nada pode fazer.



Escrito por Iossi Katri às 04h49
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JUDAÍSMO VEGETARIANO?

Estive lendo ‘O Escravo’ de Isaac Bashevis Singer, que conta a história de um rabino que ficou refugiado numa aledia polonesa habitada por bárbaros nos anos que seguiram o grande levante de 1648-9, que aniquilou um terço dos judeus que viviam na Polônia (é possível ler sobre isso em Português no livro de Arnaldo Niskier: Shach, as lições de um sábio). Enquanto a trama da história em si é fictícia (e emocionante), o fundo histórico é narrado com maestria e precisão, dando-nos uma excelente noção de como os judeus viviam naquela época, ainda predecessora ao Baal Shem Tov e a chassidut. Um livro que recomendo fervorosamente.

* * *

O detalhe que destoa um pouco da fidelidade ao tempo em que se passa a história é o vegetarianismo, manifestado diversas vezes, de Yakov, o herói do livro.  A explicação: Isaac Bashevis Singer era vegetariano. É dele a resposta, quando perguntado se não comia carne por questões de saúde, que sim, só que pela saúde das galinhas.

Em ‘O Escravo’, Singer motiva o vegetarianismo de Yacom com um profundo sentimento religioso que o faz interagir com toda a existência criada por De’us. De fato, não é simples conseguir legitimidade para tirar a vida de um animal (e peixes e aves incluídos) pelo prazer alimentício. Por motivos culturais milenares, a questão da vida e da saúde dos animais, é um tanto difícil de ser entendida, aceitada ou levada a sério, se alguém começa a falar sobre, todos já fazem uma cara de ‘lá vem ele contar abobrinha’, o veredito sobre a questão já foi dado e o assunto está encerrado. Mas, será que as pessoas realmente sabem por que podemos matar pra comer?

Concordo que é pedir muito, esperar que todos saibam e entendam o tratado filosófico-moral sobre a alimentação de carnívora, mas na prática, isso é uma coisa que todos fazem quase que diariamente. Enquanto é mais fácil entender a pergunta ‘por que se pode comer animais?’ do que a resposta para essa pergunta. Outrossim, é interessante notar, que a pergunta já traz dentro de si, o veredito final: ‘pode comer animais’, só nos resta saber o porque.

Já ouvi um argumento um tanto pragmático que rezava o seguinte: se não podemos nos alimentar de animais, peixes e afins, sobram as verduras, que por sua vez, também são/eram seres vivos. Ainda mais, existem milhares de seres microscópicos que nós matamos em cada folha de alface ingerida! Existem outros que dizem que as regras da cadeia alimentar nos eximem de qualquer culpa e injustiça, deixando a entender que caso existisse algum ser mais poderoso que o ser humano...Outros ressaltam que a consciência dos outros seres vivos não pode ser comparada com a das pessoas, de modo que podemos minimizar a dor e a injustiça de ser morto pra virar alimento.

Para a religião judaica, estes e outros argumentos parecem não ser suficientes, tanto é que ela traz suas próprias razões, que só podem ser aceitas com fé. É contado que antes do pecado inicial no Jardim do Eden, Adão era proíbido de se alimentar de animais, sendo permitido ao ser expulso de lá. A chassidut explica, que até o pecado, o bom e o mal eram claramente separados, e o homem não tinha a missão de refinar o mundo. Quando as sentelhas divinas do bem e do mal estão misturadas, é dever do homem se usufruir do mundo, viver nele, de modo que todas as coisas que ajudam o homem em sua vida de conhcimento de De’us, sejam elevados para a divindade.

No nosso caso, alguém que se alimenta de carne, estaria elevando o animal, os vegetais e minerais que este animal ingeriu por toda sua vida à divindade, caso usar da energia que recebeu nessa alimentação para bons fins. Uma vez que o mundo inteiro foi criado com o intiuito de, através do trabalho e missão do homem voltar a sua origem divina, a pessoa que se alimenta de um animal e o eleva a divindade, está fazendo um favor para o animal, e este chega a sua própria redenção final. Esta é a resposta do judaísmo chassídico.

Na consciência pública ficou mais ou menos assim: ‘o vegetarianismo foi refutado pela religião; existe um ponto em elevar o mundo, comendo com boas intenções.’ E declaramos para nós mesmos uma vez a cada alguns anos: tudo o que eu comi e tudo que comerei daqui pra frente será leshem shamaim – em nome dos céus, e negócio fechado. Na verdade, não deveria ser exatamente assim. Como nos escancara esta curta anedota judaica:

“Froim Greidinger uma vez estava sentado no restaurante e quando começou a chorar após que o garçom trouxe o prato de carne que ele pedira.

 - Por que você está chorando? – lhe perguntaram.

Froim contestou: - Mataram um boi inteiro, só pra dar este pedacinho tão pequeno de carne, era melhor ter o deixado em vida.”

Se Froim chorou pelo boi porque queria mais carne, nós, quando percebermos que nossa intenção de elevar o mundo a divindade foi tão pequena, quase inexistente, podmos considerar: será que valeu a pena matar um boi inteiro só pra isso?



Escrito por Iossi Katri às 06h50
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Atualizando

Como vocês perceberam, a frequência dos post’s diminuíram nas últimas semanas. A razão: estou participando de um grupo do ‘Espaço K’ de São Paulo que veio ficar um mês na Yeshivá de Mayanot por um mês, que se termina nessa semana. Ainda será escrito sobre esta experiência que tive com eles. Antes, segue um texto inspirado neste grupo. No próximo post.



Escrito por Iossi Katri às 08h12
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O Tcholent e o Sorvete

Reza uma bela anedota judaica: “Era shabat depois da reza da manhã e todos os frequentadores da sinagoga sentavam-se à mesa do Kidush. Quando Moishe, um dos oradores, ao se empolgar, convidou a sinagoga inteira para sua casa.

“As pessoas foram chegando na casa de Moishe, para a surpresa de sua esposa que o esperava para o almoço. Percebendo que não dava pra colocar mais água no Tcholent, ela convocou as muitas crianças presentes e lhes passou a recomendação: ‘Já que sobra gente no final da panela do Tcholent, quando eu vier oferecer o Tcholent, me façam o favor e arranjem uma desculpa pra deixar para os adultos’.

- Quem quer Tcholent? – perguntou a dona da casa.

- Não gosto de Tcholent – disse um. – Estou cheio, disseram os outros. E assim, de um jeito ou de outro, o Tcholent foi suficiente pra todo mundo. E chegou a hora da sobre-mesa:

- Quem quer sorvete? – ofereceu a generosa dona da casa.

- Eu! Eu! – Responderam em coro as crianças que já estavam famintas.

A resposta da senhora foi um veredito: - Quem não comeu Tcholent, não vai comer sorvete!”

 

O aprendizado desta anedota seria entendido mais facilmente pelos brasileiros, caso o tradicional ‘feijão com arroz’ estivesse no lugar do folclórico Tcholent. Pois, se num sábio conto chinês todas as coisas foram divididas nas categoria de ‘pão’ e ‘flor’, podemos também, só que por outro aspecto, as dividir entre ‘tcholent’ e ‘sorvete’.

Em todas as áreas existem tarefas e ensinamentos que são bons por excelência, puro prazer. Mas, para chegar até eles, é necessário o preenchimento da parte capital, que, quase que por definição, englobam componentes menos prazerosos a primeira vista, enfim, algum esforço. Como no nosso exemplo, justamente depois de se alimentar de verdade podemos nos dar o luxo de saborear o sorvete. E mais ainda, um sorvete depois do Tcholent é bem melhor que o sorvete antes do Tcholent.

Todo mundo gostaria de conhecer as ‘partes legais’ da filosofia, da economia e, lehavdil, do judaísmo. Seguindo ainda a nossa anedota, não interessa se você não comeu o Tcholent porque não quis ou porque foi pedido para que não o faça: quem não comeu o tcholent não vai comer o sorvete! Pra chegar realmente no ponto alto de cada assunto, é necessário investir antes nas bases.

Para aqueles que pretendem vender (e comprar), por exemplo no judaísmo, diretamente a ‘parte legal’, ignorando a existência das fontes e bases, perguntamos, claro que com uma metáfora gastronômica!, de que vale a cereja sem o bolo? 



Escrito por Iossi Katri às 08h12
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A foto da semana

Tive o prazer de encontrar com dois dos bons amigos de Belo Horizonte que estavam participando do grupo do Taglit de Julho, por pedidos aqui segue a foto da semana.

David Kalic, Iossi Katri e Victor Bilman no Kotel Hamaaravi.



Escrito por Iossi Katri às 08h11
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A foto do dia

Pra quem não sabe ainda, esta é (provavelmente) a próxima primeira-dama dos EUA, Michelle Obama, se encontrando com o shliach do Beit Chabad do Sul da Florida, Rabino Minkowits.

O que é que tem de diferente nesta foto publicada no portal Shturem?

Os comentários são livres.



Escrito por Iossi Katri às 11h26
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Rabbi Shmuley Boteach

O personagem desta semana é Shmuley Boteach – o ‘Rabino da América’. Bem, se Shmuley não é considerado por todos os judeus americanos como o rabino-chefe dos EUA, esta auto entitulação não está errada. Pois como veremos, ele encarna muito profundamente todo o espírito americano em ser rabino.

Um verdadeiro rabino multimídia, ou um ‘super star’ que não mede meios para promover suas idéias e/se promovendo. Ele tem um programa semanal na Televisão à cabo, um popular programa de rádio, autor de 18 livros como o best seller  ‘The Kosher Sex’ "e", usando o termo destas mídias, “muito mais”.

Nascido em Los Angeles, após estudar em Jerusalém na Yeshivá de Torat Emet (!) por três anos e de se formar rabino em NY, foi enviado pelo Rebe de Lubavitch para trabalhar com os jovens do campus da Universidade de Oxford. Lá, Shmuley Boteach desenvolveu forte relação com vários intelectuais e celebridades promovendo intensos debates sobre religião e comportamento em sua instituição chamada ‘L’chaim Society’.

Por se desentender com o chabad inglês sobre os métodos da transmição religiosa, Boteach voltou aos EUA, onde, já desligado oficialmente do chabad, continua sua carreira de sucesso. Para citar um exemplo, ele participou de um debate com o renomado professor Christopher Hitchens, autor do livro ‘Go-d is not Great’ – um dos líderes da chamada ‘cruzada dos ateus’ contra a religião (assista este debate na íntegra aqui). Boteach é um rabino que sabe falar na língua que o povo americano entende, além de ser muito versado na cultura judaica e de ser criterioso em suas pesquisas.

Em seu histórico, não tem como não citar sua amizade com o cantor Michael Jackson (apresentado por um amigo em comum, Uri Geller!), algo que, acredito, não engrandece o currículo de um rabino. Seus críticos insistem que Boteach não tem opinião e legado próprio, ele diz o que agrada a sociedade americana, ou o que eles esperam escutar de um rabino. Seja como for, ele é mais um personagem do 'chabad pós sétima geração' que chama muito a nossa atenção.

Separei um vídeo muito legal, onde Boteach faz um verdadeiro reality show com sua própria família, viajando num trailer até o Alaska. Ele muda a vida de várias pessoas no decorrer de dua viagem. Inclusive, ele pode dar uma boa dose de bom humor pra quem, eventualmente, assistir este vídeo. Aproveitem.

 

Site oficial de Shmuley Boteach: http://www.shmuley.com/home.php



Escrito por Iossi Katri às 12h59
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Mais Uma Vez

Completo hoje meu aniversário de 22 anos. Este é um dia propício parar e refletir um pouco sobre a vida. Uma reflexão que eu já havia percebido há um tempo, tem hoje uma importância maior e mais simbólica, adiante.

No ‘Haiom Iom’ de hoje, 19 de Tamuz, encontramos um pequeno relato sobre o comportamento do Rebe Rashab: “Quando o Rebe estava fora de sua casa, mesmo que por vários meses, ele recitava o Tefilat Haderech (a benção do caminho) todo dia após a oração, sem pronunciar o nome de De’us”.

Ainda quando criança e descobri que este era a mensagem escolhida pelo Rebe para o dia do meu aniversário, vamos dizer que eu esperava uma mensagem mais profunda, como não faltam nesse singelo livro do ‘Haiom Iom’. Enfim, depois vim a descobrir que existe um costume entre os hassidim de dizerem o ‘Haiom Iom’ a cada dia em que eles não estão se sentindo em casa. Seja porque não estão perto do Rebe, ou porque o Beit Hamikdash não foi construído.

Se eu declarasse que “a vida é uma viagem” estaria criando apenas mais uma metáfora distante para a vida. Não obstante, quando um se acostuma a dizer todo dia a ‘benção do caminho’, existe aqui um ensinamento prático e verdadeiro para todos nós. Ao terminar nossa reza da manhã, ao dizer a ‘benção do caminho’ estamos expressando e nos lembrando de que a vida segue adiante tal qual uma viagem. Não podemos ficar parados no mesmo lugar, não apenas que devemos estar abertos para novos horizontes, devemos, também, procurar novos desafios.

Espero que este ensinamento seja relevante pra mim hoje como era quando completei dezessete anos. E que em todos os próximos anos, como é relevante hoje. Mazal Tov.



Escrito por Iossi Katri às 06h38
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Uma história

Conta o Rav Biniamini, ilustrando a queda de nível ocorrida em seis anos na escola Bar Ilan no Rio de Janeiro no começo da década de 60 (!): “Naqueles anos um rabino de barba nas ruas do Rio era algo completamente inusitado. Em uma das vezes que entrei no Bar Ilan, de barba obviamente, as crianças apontavam pra mim e diziam ‘Moshe Rabeinu’, outras ‘Mordechai hatsadik’ e ainda, outras ‘Theodor Herzel’.

“Voltei a Israel, seis anos se passaram quando me informaram que a situação no Bar Ilan não estava boa e que era preciso que eu retornasse pra dirigir a escola. Adentrando no pátio onde as crianças brincavam, me fitaram e exclamaram: ‘Papai Noel!’.

“Mas é possível fazer com que o Bar Ilan, como todas as escolas, um lugar onde as crianças sejam educadas a serem bons judeus.”



Escrito por Iossi Katri às 11h17
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Uma cantora religiosa

Essa é uma das notícias que realmente surpreendem: Filha do influente milionário australiano chabadnik Joseph Gutnik e nora de Yehuda Krinsky, ex-secretário do Rebe de Lubavitch e um dos 5 rabinos mais influentes dos Estados Unidos segundo a Newsweek, Rivka Krinsky, 32, mãe de cinco, é a mais nova cantora de mùsica pop judaica.

Rivka Krinsky. "É possível concretizar seus sonhos dentro da halachá".

Pra quem não entende a surpresa, existem restrições na halachá quanto as músicas cantadas por mulheres. A Guemará define que ‘a voz da mulher (cantando) é erva(obsceno, sensual)’ para os homens. Quando isso foi dito pelo sábios do Talmud, eles se referiram, obviamente, a voz natural da mulher. Com relação a escutar a voz de uma cantora transmitida por algum tocador de música e afins, a maioria dos rabinos desaprovam halachicamente. Tem aqueles que permitem, especialmente quando a música é privada de fotos da cantora.

Rivka Krinsky, que é religiosa, se apresenta em seus shows apenas para mulheres. Não por isso, a reportagem sobre ela no site do chabad de Israel deixou de ser censurada. Mesmo que a reportagem teve permição de um rabino do Brooklyn, onde Rivka mora, os rabinos de Israel pressionaram o site remover a reportagem. Ela se protege um pouco das críticas ortodoxas, alegando que sua mãe e sua avó também eram cantoras, como também é sua filha menor que às vezes canta com ela nos shows. E ainda, podemos encontrar um motivo de missão presente em sua carreira que “através das músicas com teor judaico, muitas pessoas se aproximam da religião”, e também um lado feminista “sinto algo especial ao cantar só pra mulheres...uma energia maravilhosa”. Sobre a halachá ela declara: “eu acho que é perfeitamente possível a mulher concretizar seus sonhos dentro da halachá”.

No entanto, é claro que Rivka se considera, antes de uma emissária, uma cantora profissional. Quando sugere a compra de seu CD em seu site não ressalva a compra por homens e assim por diante. Diferente de quando Matisyahu despontou como um chabadnik súdito do reggae, cronologicamente, súdito do reggae e depois chabadnik, Rivka Gutnik Krinsky vem de uma família muito tradicional e está casada com uma família tão tradicional quanto.

Sua carreira está apenas começando, e ainda é cedo pra saber qual será a tendência no futuro: ampliar sua carreira musical ou continuar limitada pela halachá. Será uma personagem interessante a ser acompanhada, até pra poder analisar como o Chabad lidará com os extremos dentro de si. 

Veja neste link uma reportagem em hebraico (ynet) com duas músicas completas (indicação só pra mulheres?): http://www.ynet.co.il/articles/0,7340,L-3561896,00.html

O site oficial da cantora: http://www.rivkahk.com/



Escrito por Iossi Katri às 09h51
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Uma anedota chassídica - "Rabi respeitava os ricos"

“Sobre a lei talmúdica que inocenta o louco, o surdo-mudo e as crianças de pagarem por danos cometidos e incrimina aqueles que os prejudicam, Rabi Shneiur Zalman disse uma vez, com uma dose de humor, que o editor da mishna, Rabi, realmente respeitava os ricos.

Ele respeitava, disse o R. Shneiur Zalman, e por isso não os incluiu na lista daqueles que podem prejudicar os outros [como eles pensam que é permitido[.”

Possível interpretação: Além de criticar aqueles que se comportam do jeito que bem entendem sem considerar os próximos apenas “porque” tem dinheiro, o autor do Tania ensina, também, que a verdadeira honraria a ser dispensada para aqueles que tem muito dinheiro, é tratar-los igualemente.



Escrito por Iossi Katri às 13h13
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A Escola da Tradição - Yeshivá de Petrópolis

Veja no link abaixo, uma bela reportagem de Claudia Altchüller ilustrada com fotos de Felipe Goifman sobre a Yeshivá de Petrópolis publicada na National Geografic deste mês. Claudia, a repórter da revista, já teve um filho, Daniel, estudando na ‘Yeshivá da Tradição’ como ela entitula a reportagem.

Enquanto a descrição do que lá se passa é quase perfeita, a sincera Claudia Altchuller mostra que esteve na Yeshivá não apenas para ver, mas sim para sentir também. Uma matéria sobre uma instituição importante e única numa revista a altura de sua tradição.

http://viajeaqui.abril.com.br/ng/materias/ng_materia_284357.shtml

Mendel Katri (centro) se prepara para ler a Torah enquanto Yossef Kohen recita a benção observado por Noach Dressler.



Escrito por Iossi Katri às 12h53
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Um Ciclo que durou 14 anos

Estive ontém a noite no casamento de Daniel Indech e Aline Schwarts. Ele de São Paulo e ela de Belo Horizonte, de uma família próxima a minha. Confesso que fiquei muito sentido de participar desta celebração. Depois do casamento, escrevi um texto expressando o que tudo aquilo significou pra mim. Mazal tov para os noivos!

* * *

De acordo com a mística judaica, a instituição do casamento é uma parábola para a união de De’us com os judeus. E a cada casamento que acontece, essa união fica mais forte e com mais chance de ser completamente concretizada com a vinda do Mashiach. Por isso, a festa do casamento não é exclusiva para as famílias que estão se unindo, mas para todo o povo. Daí vem o costume de se celebrar esta ocasião de maneira pública com muitos convidados.

Ao analisar por este prisma, podemos concluir também que a festa do casamento e sua relação com a era messiânica, vem redimir o trabalho de todas as gerações passadas. Portanto, além dos noivos estarem se unindo a todo o povo judeu entre os vivos, também está se unindo ao âmago histórico do povo, além de estarem garantindo sua continuação.

O casamento de hoje, possue estas características de maneira ainda mais forte e marcante como posso testemunhar pessoalmente. A começar pela data, 3 de Tamuz, o dia do falecimento do Rebe, o homem que uniu todo o povo judeu em seu tempo. Data esta que ficará marcada pra sempre na vida do casal, já era familiar para a noiva e para sua família.

O ano era 1994, depois de vários meses de preparações chegava o tão esperado dia para quatro famílias que comemoravam juntamente o bat mitsva de suas filhas numa tarde de domingo na sede da 'União Israelita’ em Belo Horizonte. Por um motivo que eles iriam ainda descobrir e entender, meu pai, o Rabino Nissim Katri, apareceu visivelmente triste dizendo que, infelizmente, seria necessário trocar alguns planos da festa, como cancelar a parte musical. Naquela madrugada de 3 de Tamuz o Rebe de Lubavitch falecera em New York.

O Bat mitsva transcorreu, de uma maneira ou de outra. Ainda me lembro do kadish recitado aos prantos, sem que todos entendessem porque, se tratando de uma festa. O que fazer se o Rabino que incentivou e organizou todo o bat mitsva não estava ali por conta própria, ele fora enviado pelo Rebe de Lubavitch, assim como outros milhares para outros lugares.Por sinal, naquela dia, não foi só em Belo Horizonte que os planos mudaram, foi no mundo inteiro, as distâncias foram diminuídas pelo Rebe. Entre as meninas bat-mitsvandas, estava a noiva de hoje. O ciclo, agora, está se completando.

Permitam me mais um breve depoimento pessoal. Como outras comunidades judaicas no Brasil, a comunidade de Belo Horizonte é formada principalmente por judeus oriundos da Europa. Uma das pessoas que mais marcaram minha infância, foi o avô de Aline, o senhor Hugo Scwartz, de abençoada memória.

 ‘O último judeu do shteitel (aldeias tradicionalemte judaicas no leste europeu) em Belo Horizonte’ como alguns disseram após seu falecimento, era pra mim o símbulo ultimativo de um judeu autêntico em Belo Horizonte. Ele era muito envolvido com as pessoas e com a comunidade, mas pelo menos nos sinceros e ingênuos olhos infantis deste que escreve, ele pertencia a comunidade do shteitel e com todos os folclores envolvidos, quando os valores judaicos e as coisas judaicas recebem o maior relevo. 

Acredito que este ciclo também chega em um final feliz. O senhor Hugo não foi o último, sua história e de sua família, que entre outras sobreviveu o Holocausto e parte dela apenas se reuniu por ocasião deste casamento, continua por mais algumas gerações como bons judeus.

Nada combina mais para selar todas essas uniões, de todo o povo e com toda nossa história, do que a união de um casamento!

Nestes momentos percebemos que nossa vida é, na verdade, um grande conjunto de encontros e desencontros com as pessoas que gostamos. Estes momentos parecem ser únicos, mas duram pra sempre. Porque eles nos fazem lembrar, que em algum ponto, nenhuma distância pode nos separar - somos uma grande unidade.



Escrito por Iossi Katri às 10h24
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